Não sei ao certo o que anda acontecendo, e nem se esta é uma percepção isolada, mas venho notando que as pessoas ao meu redor estão cada vez mais insatisfeitas com seus relacionamentos. Na verdade, de tanto falar sobre o assunto nos momentos de terapia/conselho/amigo-serve-pra-isso, decidi fazer um post com algumas considerações sobre o que penso do assunto.
Primeiro, acho que talvez essa insatisfação generalizada tenha a ver com a chamada geração Y, que está sempre em busca de crescimento, inovações e motivações, e que é avessa às regras conservadoras, que por coincidência são as mesmas que movem as relações interpessoais há muitas décadas.
Digo isso porque a maior parte das queixas que ouço no meu “consultório informal” são do tipo: “minha namorada me prende”, “ela não me deixa fazer nada” ou ainda “ela trata mal todos os meus amigos”. Já na versão feminina, as reclamações mais comuns são: “ele não liga pra mim”, “ele é grosso comigo” ou até mesmo “ele dá moral pra todas”.
O que se percebe com isso é que tanto homens quanto mulheres estão cada vez mais voltados para seus próprios interesses, e não para o relacionamento em si. Enquanto os homens estão cada vez mais infelizes com as mulheres que os sufocam, as mulheres estão infelizes com os homens que não as mimam o suficiente.
Agora eu pergunto: é bom o homem ou a mulher abrirem mão de suas vontades por causa de um relacionamento? Pergunto isso porque sinceramente não sei a resposta. Eu mesmo sempre valorizei relacionamentos de independência, que somam à nossa vida, ao invés de subtrair. Mas percebo que este tipo de relacionamento é realmente raro de se encontrar, então não sei se é melhor esquecer a ideia e partir para o conformismo (que como já disse em outro post, acho revoltante), ou continuar minha busca no time dos solteiros ao estilo “sou brasileiro e não desisto nunca”.
Mas independentemente disso tudo, acredito que um namoro deva trazer conforto, e para isso devemos confiar, poder contar um com o outro e, acima de tudo, aceitar o outro como é. Afinal, não tem nada pior do que alguém que se diz apaixonado por você e depois tenta te moldar como se você fosse um boneco de massinha.
Para essas pessoas, só o que tenho a dizer é que a infância já acabou, e agora nós lidamos com pessoas de verdade, com opiniões, vontades, qualidades e defeitos. Nesse sentido, talvez seja melhor exercer o egoísmo: pare de tentar modificar os outros e trabalhe em cima de você mesmo.
5 comentários:
hehehe, o que falar! Estava bastante inspirado ou foi um desabafo? Rsss. de qualquer forma está muito bom, faz com que refletimos um pouco sobre como somos em nossos relacionamentos pessoais; porque isso não vale só para relacionamentos tipo "namoro" mas tbem para nossas amizades. Parabéns ficou ótimo amigo...
Pra mim, enquanto houver alguma coisa no outro que incomode, tá é muito bom. Pq pelo menos me faz pensar q, apesar disso, ainda há a vontade de ficar junto. O duro é quando os dois começam a aceitar qualquer coisa, mesmo desagradável, e não querem melhorar o relacionamento, colocando os problemas embaixo do cobertor. Vai virando uma rotina recheada de desgostos escondidos, uma coisa chata, sem emoção, dura anos e ninguém tem coragem de acabar. Daí resulta num casamento infeliz e sem amor.
;)
O grande problema da geração Y é que essa busca de crescimento, inovação e motivação não é encarada realmente como uma "busca", como algo que se almeja no futuro. Para essa geração (incluindo eu aqui) a busca tem de ter um fim na mesma velocidade de expansão das novas mídias, tem de ser pra já, algo palpável no presente ou vislumbrado a curto prazo. Não é de se admirar que essa ansiedade gere impaciência pra se moldar algo que você só aprimora e entende com o tempo, o relacionamento humano. Assim, foca-se na limitação do que está dando errado e se esquece que cada pessoa tem um potencial enorme de revelar um admirável mundo novo...
Sorte dos brasileiros, então!! rs*
E realmente é intrigante, se nos apaixonamos por alguém, porque queremos mudar a pessoa depois? É estranho... O.o
Concordo. Atualmente as pessoas deixaram de ter valores, ou valorizam mesquinharias q não merecem tal atençao. Exemplo é o próprio "eu te amo" q está super banalizado.
"A diferença do amor e da paixão; amor se ama ate os defeitos, a paixão se acaba quando se conhece os defeitos."
Quem ama de verdade nao precisa moldar, ou mudar a pessoa amada.
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