segunda-feira, 3 de maio de 2010

O desserviço dos namoros

Não sei ao certo o que anda acontecendo, e nem se esta é uma percepção isolada, mas venho notando que as pessoas ao meu redor estão cada vez mais insatisfeitas com seus relacionamentos. Na verdade, de tanto falar sobre o assunto nos momentos de terapia/conselho/amigo-serve-pra-isso, decidi fazer um post com algumas considerações sobre o que penso do assunto.

Primeiro, acho que talvez essa insatisfação generalizada tenha a ver com a chamada geração Y, que está sempre em busca de crescimento, inovações e motivações, e que é avessa às regras conservadoras, que por coincidência são as mesmas que movem as relações interpessoais há muitas décadas.

Digo isso porque a maior parte das queixas que ouço no meu “consultório informal” são do tipo: “minha namorada me prende”, “ela não me deixa fazer nada” ou ainda “ela trata mal todos os meus amigos”. Já na versão feminina, as reclamações mais comuns são: “ele não liga pra mim”, “ele é grosso comigo” ou até mesmo “ele dá moral pra todas”.

O que se percebe com isso é que tanto homens quanto mulheres estão cada vez mais voltados para seus próprios interesses, e não para o relacionamento em si. Enquanto os homens estão cada vez mais infelizes com as mulheres que os sufocam, as mulheres estão infelizes com os homens que não as mimam o suficiente.

Agora eu pergunto: é bom o homem ou a mulher abrirem mão de suas vontades por causa de um relacionamento? Pergunto isso porque sinceramente não sei a resposta. Eu mesmo sempre valorizei relacionamentos de independência, que somam à nossa vida, ao invés de subtrair. Mas percebo que este tipo de relacionamento é realmente raro de se encontrar, então não sei se é melhor esquecer a ideia e partir para o conformismo (que como já disse em outro post, acho revoltante), ou continuar minha busca no time dos solteiros ao estilo “sou brasileiro e não desisto nunca”.

Mas independentemente disso tudo, acredito que um namoro deva trazer conforto, e para isso devemos confiar, poder contar um com o outro e, acima de tudo, aceitar o outro como é. Afinal, não tem nada pior do que alguém que se diz apaixonado por você e depois tenta te moldar como se você fosse um boneco de massinha.

Para essas pessoas, só o que tenho a dizer é que a infância já acabou, e agora nós lidamos com pessoas de verdade, com opiniões, vontades, qualidades e defeitos. Nesse sentido, talvez seja melhor exercer o egoísmo: pare de tentar modificar os outros e trabalhe em cima de você mesmo.

5 comentários:

thiago Fernandes disse...

hehehe, o que falar! Estava bastante inspirado ou foi um desabafo? Rsss. de qualquer forma está muito bom, faz com que refletimos um pouco sobre como somos em nossos relacionamentos pessoais; porque isso não vale só para relacionamentos tipo "namoro" mas tbem para nossas amizades. Parabéns ficou ótimo amigo...

Marisa disse...

Pra mim, enquanto houver alguma coisa no outro que incomode, tá é muito bom. Pq pelo menos me faz pensar q, apesar disso, ainda há a vontade de ficar junto. O duro é quando os dois começam a aceitar qualquer coisa, mesmo desagradável, e não querem melhorar o relacionamento, colocando os problemas embaixo do cobertor. Vai virando uma rotina recheada de desgostos escondidos, uma coisa chata, sem emoção, dura anos e ninguém tem coragem de acabar. Daí resulta num casamento infeliz e sem amor.

;)

uil disse...

O grande problema da geração Y é que essa busca de crescimento, inovação e motivação não é encarada realmente como uma "busca", como algo que se almeja no futuro. Para essa geração (incluindo eu aqui) a busca tem de ter um fim na mesma velocidade de expansão das novas mídias, tem de ser pra já, algo palpável no presente ou vislumbrado a curto prazo. Não é de se admirar que essa ansiedade gere impaciência pra se moldar algo que você só aprimora e entende com o tempo, o relacionamento humano. Assim, foca-se na limitação do que está dando errado e se esquece que cada pessoa tem um potencial enorme de revelar um admirável mundo novo...

Pamela disse...

Sorte dos brasileiros, então!! rs*
E realmente é intrigante, se nos apaixonamos por alguém, porque queremos mudar a pessoa depois? É estranho... O.o

Anônimo disse...

Concordo. Atualmente as pessoas deixaram de ter valores, ou valorizam mesquinharias q não merecem tal atençao. Exemplo é o próprio "eu te amo" q está super banalizado.

"A diferença do amor e da paixão; amor se ama ate os defeitos, a paixão se acaba quando se conhece os defeitos."

Quem ama de verdade nao precisa moldar, ou mudar a pessoa amada.