Já faz um bom tempo que podemos perceber nitidamente mudanças profundas no setor da comunicação. Com o desenvolvimento de novos modelos de divulgação de informações e com a alta concorrência criada entre os veículos tradicionais e digitais, novas linguagens surgem constantemente, tanto para o jornalismo quanto para a publicidade, modificando completamente a forma como nos informamos e construímos nossas opiniões.
Para se ter uma ideia, recentemente produzi uma monografia intitulada “Convergência de Mídias: a complementaridade entre o jornalismo impresso e o digital”. Mas agora, cerca de seis meses depois, percebo o quanto o assunto já está ultrapassado, pois já não existe mais qualquer tipo de dúvida sobre o império das mídias digitais. Agora, não se discute mais sobre o futuro das mídias tradicionais, que deverão “se virar nos 30” pra conseguirem acompanhar essa evolução.
A questão é que as grandes vedetes do momento, com certeza, são as mídias sociais, que passam a colocar em cheque até mesmo o próprio modelo de portal de notícias. Afinal, as mídias sociais exploram os mesmos conceitos de interatividade, instantaneidade, multimediação e hipertextualidade, que são os principais diferenciais que embasaram o sucesso gigantesco da internet, mas incrementados, eu diria, com algumas características mais informais, como confiança e parceria.
Cito a confiança porque os perfis sociais normalmente possibilitam que conheçamos a fundo os aspectos particulares e sociais do emissor da mensagem, além de viabilizar um acompanhamento contínuo de suas ações. Isso, por conseqüência, gera também o sentimento de parceria, pois a interação frequente tende a aproximar cada vez mais o emissor e o receptor.
Na verdade, acredito que o sucesso das mídias sociais na divulgação de informações e na formação de opinião se dá justamente na mesma base que sustenta a mídia mais antiga de todas, que possibilita nossa comunicação interpessoal do dia-a-dia: a fala. Afinal, atire a primeira pedra quem nunca ouviu, por exemplo, que “a propaganda boca a boca é a melhor”, ou então que nunca tenha sido convencido por “aquele amigo” a comprar um produto “que era tudo o que você precisava”.
Dessa forma, ainda com base na minha tese da confiança e da parceria na comunicação digital, acredito que já tenha passado da hora de alguns jornais, revistas e até mesmo programas de rádio e TV pararem de subestimar a inteligência e a opinião das pessoas que os acompanham e passarem a utilizar técnicas de divulgação e promoção mais conscientes e menos apelativas. Primeiramente porque para conquistar confiança é preciso mostrar preocupação, qualidade, engajamento e conhecimento. E em segundo lugar, porque para fortalecer o sentimento de parceria é preciso que haja uma sintonia entre os pólos da comunicação, onde o produto oferecido atenda às necessidades e expectativas dos seus clientes, e não que seja apenas focado em chamar a atenção deles com informações infundadas e sem utilidade.
Com a mudança que houve na área da comunicação, as novas gerações passaram a dar mais valor ao trabalho que é bem feito, e não mais à pirotecnia que existe em torno dele. A comunicação, seja ela de cunho jornalístico ou publicitário, vivencia uma experiência de valorização da simplicidade, pois o conceito de redes sociais, que se populariza cada vez mais, pressupõe justamente o entrosamento, a aproximação e a interação, que são características inversamente proporcionais a qualquer tipo de formalidade ou tentativa forçada de manipulação.
Um exemplo claro disso são as muitas empresas ou veículos que utilizam as novas tendências tecnológicas apenas para não se sentirem desatualizados. É o caso, por exemplo, dos jornais impressos que criam sites obsoletos, ou das empresas que criam redes sociais apenas para servir como um cartãozinho de visitas. O problema nestes casos é que, ao invés de serem vistas como modernas, estas instituições acabam sendo vistas como alienadas, por assumirem publicamente que não estão preparadas para lidarem com as mídias digitais.
Na verdade, penso que a comunicação, seja ela jornalística ou publicitária, nunca esteve tão próxima da realidade informal das relações interpessoais. Afinal, os modelos mais bem sucedidos de divulgação nas redes sociais pressupõem relacionamentos quase que de amizade e, sendo assim, tratar os leitores/usuários/clientes com a mesma confiança e parceria com que tratamos nossos amigos talvez não seja uma má ideia.
1 comentários:
É vc disse tudo, se os veiculos de comunicação fossem mais racionais e não capitalistas como ultimamente tem sido, aproximaria muito mais seus clientes, leitores, usuários e telespectadores; Esses sentiriam muito mais confiança e respeito pelo sistema de comunicação em geral.
Nossa vc está de PARABÉNS Dí, td bem que aqui quem vos fala é um leigo no assunto, mas axo que dou pro gasto, rsssss
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